<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-33562459</id><updated>2011-11-25T06:26:17.315-08:00</updated><title type='text'>Palimpnóia Artigos, Resenhas, Ensaios</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://palimpnoiaartigos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33562459/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palimpnoiaartigos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Euza Noronha</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/-sMhlICK8E6M/Ts-lfK8hFbI/AAAAAAAAAXo/_ZykPEgS78A/s220/perfil3.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>3</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33562459.post-116323850583364482</id><published>2006-11-11T01:46:00.000-08:00</published><updated>2006-11-11T01:48:25.846-08:00</updated><title type='text'>Linaldo Guedes</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Um poeta sozinho tecendo o Nordeste&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;"Ninguém é igual a ninguém.&lt;br /&gt;Todo ser humano é um estranho ímpar".&lt;br /&gt;(Carlos Drummond de Andrade)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Triste mania, a de alguns poetas, essa de teimar com as palavras. João Cabral de Melo Neto escreveu, certa vez, que um galo sozinho não tece uma manhã. "Ele precisará sempre de outros galos", continuou. Parece até coisa de comunista, pensar na criação do mundo como uma coisa coletiva. Pena que sejam contraditórios os versos dos melhores poetas existentes no mundo. O próprio João Cabral pôs por terra essa sua tese galinácea. Desde Pedra do Sono (de 1940) esteve, nas letras, como uma verdadeiro galo solitário no mar poético da literatura brasileira. Construiu uma poesia única, ímpar, que sempre esteve mais para o poema Igual-Desigual, de Drummond, do que para o seu Tecendo a manhã.&lt;br /&gt;João Cabral de Melo Neto tinha mania de Nordeste - outra característica própria e única de sua poesia. Desde a sua estréia em livro, colecionou seguidores. Na Paraíba, dois de cada três livros de poesias lançados por ano contêm o estilo conciso, enxuto e cerebral do pernambucano. Quase nenhum carrega nos versos o talento cabralino.&lt;br /&gt;A originalidade na poesia de João Cabral de Melo Neto não está propriamente no estilo. Ligado cronologicamente aos poetas de 45, esteve sempre além-gerações. Atropelou os companheiros da época e os concretistas, em seguida, ao fazer uma poesia forte, nordestina e universal. Não ousou criar um novo estilo. Apenas ousou ser ímpar e tecer sozinho o Nordeste em sua poesia com o cheiro da cana e o gosto amargo da seca. Foi durante todos esses anos a única voz com ressonância fora da nossa região a falar sempre de nossas cores, nossas dores, nossos ácidos amores em seus poemas. Fez fama e foi sugerido várias vezes para o Nobel de Literatura assim. Fazia concessões aqui e ali para cantar outras musas, como Madri e Sevilha. Mas nunca escondendo sua sede eterna pelo Capibaribe.&lt;br /&gt;Não duvidem dessa mania cabralina pelo Nordeste. Corram aos seus livros! Leiam os seus poemas! Como em Psicologia da Composição, cultivou o deserto de nossa região como um poema sem métrica. Escreveu contra a poesia dita profunda, mas ninguém falou sobre a força simbólica dos nossos espinhos com tanta profundidade.&lt;br /&gt;Feito um cão sem plumas, observava não só a paisagem do Capibaribe. O rio era sua própria poesia, sua própria cidade, seu próprio passado. O poeta sabia dos caranguejos, do lodo, da ferrugem e também "tinha algo de estagnação dos palácios cariados". O rio que deslizava suavemente pelas correntezas e cortava pontes em outras paragens. Na psicologia do rio, difícil é entender como a poesia de João Cabral banharia o Nordeste com tanto amor. Viajando pelo rio, abandonava a sua primeira infância, molhava a infância derradeira de seu Pernambuco.&lt;br /&gt;Seu Pernambuco, aliás, cantado em tantos versos... Recife, então, sempre assumia uma posição de vanguarda em sua retina poética. Tudo em torno do Capibaribe gerava poesia. E haja pregão turístico, lembranças do canavial e cemitérios pernambucanos perturbando a paz dos primeiros versos espanhóis. Após o canto da Andaluzia, o retorno para contemplar a maré baixa, porque "Todas lembravam o Recife/ este em todas se situa/ em todas em que é um crime/ para o povo estar na rua".&lt;br /&gt;Como fugir do Nordeste se o retirante teima em perturbar a paisagem árida da região? Chama-se Severino, mas poderia ser José ou João, como o próprio Cabral em eterno retiro poético. A figura caricata de Severino parece querer perseguir o poeta por toda a sua obra. Severino conhece diversas mortes miseráveis e desde então o véu da tragédia nordestina parece não querer mais abandonar João Cabral. Severino retirante, que caminha a passos tristes para o Recife e filosofa sobre a vida, a outra vida Severina - adjetivo mais poético e original que já se encontrou para definir a miséria dos nordestinos.&lt;br /&gt;Mas existem as facas! E elas cortam como lâminas! Não é uma faca-peixeira comum, igual aquelas que os sertanejos carregam nas cinturas no meio das feiras da região. Uma faca mais delicada, metáfora perfeita para a vida sempre cortante que levamos. Até porque João Cabral de Melo Neto sabia que no Nordeste, nas praias do nosso Nordeste, "nem tudo vem com agulhas e em lâmina:/ assim, o vento alíseo que ali visita/ não leva debaixo da capa arma branca./ O vento, que por outras leva punhais/ feito do metal do gelo, agulhíssimos,/ no Nordeste sopra brisa: de algodão".&lt;br /&gt;João Cabral de Melo Neto falou dos hospitais, da caatinga, da cana-de-açúcar de hoje (e de ontem), do sol em Pernambuco e da urbanização do Nordeste. Falou e cantou os poetas e escritores nordestinos, como Joaquim Cardozo, José Lins do Rego e José Américo de Almeida. Descreveu e amou a sua região com desbragado surrealismo (no início) e sutil ironia (depois). Afirmo, sem medo de exagerar: foi, em todos os tempos, a voz que melhor escreveu poeticamente sobre nossa sofrida região. Nem Manuel Bandeira (com suas evocações recifenses), nem Augusto dos Anjos (com seu cientificismo deprimido), nem qualquer outro poeta ousou insistir em tornar o Nordeste tão universal na linguagem da poesia. Foi, assim, nosso mais perfeito tradutor, tecendo sozinho a estiagem da nossa alma. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Linaldo Guedes&lt;/strong&gt; é poeta e jornalista. Publica seus escritos no &lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://linaldoguedes.blog.uol.com.br/"&gt;Blog Zumbi escutando blues&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33562459-116323850583364482?l=palimpnoiaartigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palimpnoiaartigos.blogspot.com/feeds/116323850583364482/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33562459&amp;postID=116323850583364482' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33562459/posts/default/116323850583364482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33562459/posts/default/116323850583364482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palimpnoiaartigos.blogspot.com/2006/11/linaldo-guedes.html' title='Linaldo Guedes'/><author><name>Euza Noronha</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/-sMhlICK8E6M/Ts-lfK8hFbI/AAAAAAAAAXo/_ZykPEgS78A/s220/perfil3.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33562459.post-116203596662573888</id><published>2006-10-28T04:40:00.000-07:00</published><updated>2006-10-28T07:24:51.476-07:00</updated><title type='text'>Dudu Oliva</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Sobre Vozes do deserto de Nélida Piñon&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“ Os contos das Mil e uma noites povoaram a imaginação de sem-número de leitores que, pendentes dos narradores, ansiavam para saber o que riria acontecer com Simbad e Zonaide e, com o mesmo fôlego curto, temiam pela sorte de Scherezade entregue ao capricho do mais cruel dos ouvintes.” ( escritor Alfredo Bosi)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Antes de falar sobre o romance que acabei de ler, contarei brevemente uma lenda oriental UMA FÁBULA SOBRE A FÁBULA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Deus criou a mulher, inventou a fantasia. Um dia, a verdade visitou um grande palácio, onde morava um sultão. Vestida de um véu transparente bateu na porta do palácio para falar com o sultão. “ Sou a Verdade! Quero falar ao vosso amo e senhor” . O chefe dos guardas foi ao grão-vizir, disse que uma mulher quase nua queria falar com sultão. O grão-vizir não quis conversar com a Verdade: “ A verdade quer penetrar nesse palácio! Não! Nunca! Que seria de mim, que seria de todos nós, se a verdade aqui entrasse? A perdição a desgraça nossa. Dize-lhe que uma mulher nua, despudorada, não entra aqui!...”. O chefe do guardas disse para a Verdade que ela não podia entrar no palácio, “ a tua nudez iria ofender o califa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando deus criou a mulher, criou também a Obstinação. E a verdade persistiu na visita ao palácio. Cobriu as peregrinais formas de um couro grosseiro como os que usam os pastores, e foi novamente bater à porta do suntuoso palácio em que vivia o glorioso senhor das terras mulçumanas. Bateu novamente na porta. O chefe dos guardas perguntou quem era. Sou a Acusação. Ele foi ao grão-vizir. “ Senhor, uma mulher desconhecida, com corpo envolto em grosseiras peles, deseja falar ao nosso soberano. Chama-se acusação”. O grão-vizir: “ A Acusação! Que seria de mim, que seria de todos nós, se a Acusação aqui entrasse! A perdição, a desgraça nossa! Dize-lhe que não, não pode entrar! Dize-lhe que uma mulher, sob vestes grosseiras de um zagal, não pode falar ao nosso amo e senhor!”. Depois, o chefe dos guardas disse para a Acusação que ela não podia entrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando deus criou a mulher, criou o Capricho. E a Verdade encheu-se do vivo desejo de visitar o grande palácio do sultão. Vestiu-se de riquíssimos trajes, cobriu-se com jóias e adornos, envolveu o rosto em um manto diáfano de seda e foi bater outra vez à porta do palácio. “ Sou a fábula”. O chefe dos guardas falou com grão-vizir. “ Uma linda e encantadora mulher, vestida como uma princesa, solicitada audiência de nosso amo e senhor. Chama-se Fábula!”. O grão-vizir: “ A fábula quer entrar neste palácio! Alá seja louvado! Que entre! Bendita seja a encantadora Fábula e que ela tenha, neste palácio, o acolhimento digno de uma verdadeira rainha!”. E, abertas de par em par as portas do grande palácio de Bagdá, a formosa peregrina entrou. Foi assim, sob o aspecto de Fábula, que a verdade conseguiu aparecer ao poderoso califa de Bagdá, o sultão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nélida em Vozes do Deserto mostra os bastidores dos contos das Mil e uma noites, que são histórias fantásticas inventadas e preservadas na tradição oral. Revela a mulher que está por de trás da visão mítica da famosa contadora de história da literatura oriental, Scherezade. Ela se comunica com o Califa através de sua habilidade em contar histórias. Almeja envolvê-lo numa teia para que não mate mais as suas esposas e nem ela mesma. A narrativa está na terceira pessoa e como se narrador estivesse a contar oralmente as aventuras da protagonista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Scherezade tem como aliadas à irmã Dinazerde e a escrava Jasmine. Elas a ajudam no cotidiano do palácio e na elaboração das histórias. A personagem principal sempre se lembra da Fátima, uma antiga empregada que cuidava dela quando era pequena e que a ensinou a arte de fabular. Um lado está a força viril do Califa e o seu ódio por todas as mulheres, devido a esposa Sultana que lhe traiu com um outro homem, no outro está Scherezade com o dom da palavra. Ela faz o Califa se emocionar e se identificar com os personagens marginais, pobres e com as vozes dos povos nômades que vivem no deserto. “Scherezade aprende a sobreviver.As regras da vida não estão escritas. Cabe-lhe inventá-las a cada aurora”. Ao decorrer da narrativa, a intimidade e as angustias da contadora de histórias, de sua irmã Dinazerde e da escrava Jasmine são expostas. Amor, respeito e inveja se misturas nas três personagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sherezade quer ser livre como os personagens os quais inventa, não quer ser aprisionada. Como a Verdade da fábula possui a fantasia, a obstinação e o capricho. Alias como o povo de Bagdá e os nômades do deserto, que apesar das adversidades e capricho dos poderosos, continuam a fabular e a sonhar. Usam A PALAVRA para semear por gerações futuras seus mitos, lendas e costumes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Dudu Oliva&lt;/strong&gt; publica seus escritos no &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://dudu.oliva.blog.uol.com.br/"&gt;&lt;strong&gt;Um blog na mão e várias idéias e histórias na cabeça&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comente :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na &lt;a href="http://www.palimpnoia.blogspot.com/"&gt;&lt;strong&gt;Página Inicial&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; ou no &lt;a href="http://www.palimpnoiaforum.blogspot.com/"&gt;&lt;strong&gt;Fórum&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33562459-116203596662573888?l=palimpnoiaartigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palimpnoiaartigos.blogspot.com/feeds/116203596662573888/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33562459&amp;postID=116203596662573888' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33562459/posts/default/116203596662573888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33562459/posts/default/116203596662573888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palimpnoiaartigos.blogspot.com/2006/10/dudu-oliva.html' title='Dudu Oliva'/><author><name>Euza Noronha</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/-sMhlICK8E6M/Ts-lfK8hFbI/AAAAAAAAAXo/_ZykPEgS78A/s220/perfil3.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33562459.post-115689628324460830</id><published>2006-08-29T17:04:00.000-07:00</published><updated>2006-10-15T08:27:31.653-07:00</updated><title type='text'>Heloisa Buarque de Hollanda</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Intelectuais x Marginais&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tradicionalmente, nós, intelectuais, sempre fomos os porta-vozes das demandas populares e protagonistas dos movimentos de transformação (em casos mais otimistas, da "revolução") social na área dos projetos artísticos e literários. Hoje, parece que alguma coisa de bastante diferente está no ar e que vamos ter que repensar, com radicalidade, nosso papel como intelectuais tanto no campo social, como no acadêmico e artístico. Falo das propostas inovadoras da cultura hip hop &amp; de tantas outras manifestações artísticas produzidas na periferia das grandes cidades e que estão marcando com força total a produção cultural desse nosso início de século. Vou observar aqui, a título de exemplo, apenas a área mais low key dessa produção que é o caso da literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É também da tradição da série literária brasileira, o engajamento político e o compromisso social do escritor e, portanto, uma atenção significativa aos temas da miséria, da fome, das desigualdades sociais e, ultimamente, da violência urbana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a subida da violência em 1987/88, emblematicamente datada pelos arrastões no Arpoador, o interesse da classe média sobre o assunto começa a se manifestar de maneira mais clara e recorrente. Em 1993, o tema da violência atinge seu ápice, só que agora a mobilização da opinião pública é produzida no sentido inverso, o da violência policial. É deste ano, em julho, o massacre da Candelária, no qual oito crianças entre as 50 que dormiam nas escadarias da Igreja foram mortas a tiros por policiais, seguido, em agosto, ou seja, um mês depois, pelo massacre de Vigário Geral, responsável pela morte de 21 inocentes também pela polícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Especialmente essa segunda chacina vai marcar época na nossa cultural social e política. Intelectuais, artistas e representantes da sociedade civil unem-se e começam a articular ações concretas em torno de políticas em defesa da cidadania e dos direitos humanos. É desse momento a criação de organizações como o Viva Rio e a realização de marchas pela paz e contra a violência. Não vou me deter nisso aqui porque não é o caso, mas essas ações e, sobretudo, as articulações entre agentes da classe média e as comunidades das favelas e conjuntos habitacionais marcam o início de um tipo de produção cultural até hoje inéditas no Brasil. São produções destas comunidades que interpelam a cultura mainstream e tornam-se sucesso de público e de crítica. Do ponto de vista da história literária, dois livros escritos por autores de classe média inauguram uma produção que vai se desenvolver de forma autônoma e com grande força. São eles: Zuenir Ventura com Cidade partida, de 1994, que relata de forma originalíssima, entre o documental e o literário, as ações pós-massacre de Vigário Geral e Estação Carandiru de Drauzio Varella, publicado em 1999, sobre as condições subumanas de vida no maior presídio da América Latina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As características propriamente narrativas desses dois livros são bastante interessantes e sobretudo sintomáticas. Cidade partida traz um narrador cuja posição não pode ser confundida com a típica de um livro de denúncia social, no qual o autor se aproxima de seu objeto e através dele traz à tona uma realidade da qual não se teria notícia se não fosse por sua posição privilegiada. Também não me parece refletir a objetividade necessária e característica do relato jornalístico. Mesmo não sendo um autêntico testemonio, o relato de Zuenir ao longo de toda sua narrativa mantém uma postura ambígua: opinativa e afetiva – no sentido da noção de valor-afeto de Antônio Negri – ao mesmo tempo em que franqueia um espaço de canal aberto para a fala do outro. Zuenir empresta sua voz à comunidade que examina, até mesmo ao traficante Flávio Negão, um fato inédito nas narrativas jornalísticas ou literárias. Pela primeira vez, o asfalto ouve as razões, os gostos e a dor de uma ampla e diversificada gama de habitantes da favela, os "terríveis agentes da violência", iniciando um processo de aproximação entre a favela e o asfalto, sem recorrer a falsas colorações heróicas ou vitimizadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1999, Drauzio Varella vai percorrer um caminho parecido com Estação Carandiru. Aqui a escuta médica, de traços confessionais, que implicam no pressuposto da confiança entre quem relata e seu ouvinte, reproduz também de forma não diretamente opinativa o pensamento e o cotidiano do presos em carceragem. Essas são duas obras que, de certa forma, marcam um lugar de relativa abertura da voz da periferia para o mercado das grandes editoras. Ambas tiveram uma ampla recepção de público e consagraram-se como uma forte tendência de mercado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, dois anos antes de Carandiru, em 1997, nosso Mundo das Letras já havia sido surpreendido pela publicação de um obra de ficção que, em pouco tempo, se tornaria um dos maiores best-sellers brasileiros dos últimos tempos. Falo de Cidade de Deus, de Paulo Lins, hoje com 18 edições e traduzido em inúmeros países.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulo Lins nos surpreendeu com uma variável totalmente imprevista nos nossos círculos literários: o pobre tem voz e pode até escrever; e mais ainda: escrever um livro de sucesso de público e de crítica. Vou começar pelo começo. Paulo Lins, morador do conjunto habitacional Cidade de Deus, em Jacarepaguá, zona oeste do Rio de Janeiro e local reconhecidamente violento da cidade, formou-se na Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro, trabalhou como professor de ensino médio, quando começou a escrever seus primeiros poemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em certo momento, começa a trabalhar como assistente de pesquisa, fazendo etnografias sobre a comunidade de Cidade de Deus para a professora Alba Zaluar, que realizava um trabalho sobre a violência urbana. Como Paulo mostrava grande dificuldade em organizar a redação de seus relatórios, Alba Zaluar sugere que ele faça uma redação literária de seus resultados de pesquisa. Nascia assim o romance inaugural de Paulo Lins, Cidade de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela primeira vez, e a partir da convivência estreita com as comunidades de periferia, incluindo-se aí bandidos e traficantes, temos uma detalhada anatomia do cotidiano da miséria e do crime no Brasil, agora com as cores da experiência vivida. Já não se trata mais da favela idealizada e separada do asfalto, mas da violência aberta e do inconformismo existentes nos novos conjuntos habitacionais, ou neofavelas, como as identifica o autor..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o sucesso definitivo de Cidade de Deus, ficou claro que alguma coisa irreversível havia afetado a criação e o mercado literário. Talvez até um novo cânone (tradição) estivesse em processo de gestação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2000, surge um novo livro de igual importância, ainda que de repercussão distinta da de Cidade de Deus. Trata-se de Capão pecado de Ferréz (nome de guerra de Reginaldo Ferreira da Silva). Capão pecado traz um tão refinado quanto impactante retrato de Capão Redondo, um dos bairros de maior índice de violência, tráfico de drogas e criminalidade de São Paulo, onde Ferréz cresceu e mora até hoje. Seus mais de 200 mil moradores não contam com redes de esgoto, nem hospitais, nem assistência de nenhuma espécie. Capão registra a marca sangrenta de 86.39 assassinatos a cada grupo de 100.000 habitantes, muito maior que a média nacional, que já é estratosférica para os padrões europeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este livro mostra uma integração bem maior com o universo hip hop do que seu antecessor, Cidade de Deus. Mesmo que não contasse com uma estrutura rítmica e musical organizada, como a que encontram os rappers, Ferréz tomou como referência as letras dos raps, com seu misto de crônica do gueto e convocação dos manos para a ação. Pelo menos, um ponto de partida diverso do cânone letrado. No livro, temos a presença de Mano Brown (líder do grupo de rap Racionais MCs, também residente de Capão Redondo) que comanda as epígrafes de cada capítulo do livro. Os dois juntos tornaram-se, daí em diante, grandes líderes comunitários e forte referência para jovens sem perspectiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo livro de Ferréz, Manual prático do ódio, mais agressivo do que o primeiro, descreve o impasse de uma geração que "não mede conseqüências para buscar o que não teve" (sic). Uma geração marcada pelas seqüelas deixadas pelo Estado e pela intensidade do impacto da mídia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que surpreende nos livros de Ferréz é, sobretudo, a inversão do lugar da violência. Em vez de ser tema da narrativa, a violência é apenas o entorno, a condição de vida de personagens comuns que, como nós, têm emoções, prezam a família, amam, têm ciúmes, fazem sexo e sonham com um futuro mais tranqüilo. Isso é um choque para o leitor que não vive nos cenários do crime, e termina promovendo uma forma de identificação ou, pelo menos, entendimento, do personagem agressor, ainda não conhecida na nossa literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Ferréz, torna-se mais clara uma característica já presente em Cidade de Deus. O autor é narrativamente comprometido com o local de sua fala, que se torna porosa e, portanto, excessivamente receptiva da dicção local. Como se o autor dividisse a autoria da obra com o território da ação. Muitas vezes temos a sensação de que Capão Redondo fala através do autor de seu relato. É um caso bem novo e interessante de autoria que, por se querer hiperlocalizada, traz em sua construção uma das estratégias mais usadas pelas culturas locais em tempos de globalização. O verbo glocalize já entrou para o léxico do mercado cultural destes últimos anos. É importante ainda observar que o eu-coletivo sempre foi uma alternativa eficaz de empoderamento das dicções literárias das minorias de gênero e etnia. Mas não penso ser este o caso de Paulo Lins ou de Ferréz. Mesmo que tragam consigo esta tradição narrativa, no caso dos dois autores claramente a opção é mais para a marcação do local como espaço territorial do que como voz coletiva, como é o caso da literatura de mulheres ou negros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o sucesso, Ferréz recebeu convite de bolsa para estudar literatura numa universidade americana. Não vai. Esta recusa se estende para a oferta de um produtor norte-americano que tenta comprar os direitos de Capão pecado para o cinema. Ferréz, em entrevista para os jornais, esclarece: "Escrevo para ser lido pela minha comunidade. Meu lugar é aqui. Minha guerra é essa".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comprometido com sua comunidade, Ferréz cria, ainda com Mano Brown, o movimento 1 DASUL, uma usina cultural que, entre outras atividades, tem um selo musical próprio e uma grife de moda chamada Irmandade (um conceito fundamental da cultura hip hop) que hoje já ocupa um galpão de 200 metros e outras duas oficinas apenas de costureiras, produzindo uma média de 300 peças por dia. A grife, que se caracteriza por ilustrações que denunciam o sistema, tem uma loja no centro de São Paulo, sua produção é distribuída para sete estados brasileiros, além de deter os direitos de distribuição das marcas de seis grupos de rap. A grife Irmandade confecciona também cartilhas mensais para um programa contra drogas e pretende abrir uma clínica para tratamento de dependentes. No embalo, Ferréz organizou dois números especiais da revista Caros Amigos, chamados "Literatura Marginal", que reúnem e divulgam escritores da periferia, abrindo espaço para nos talentos locais. E organizou este ano a antologia Literatura marginal: talentos da escrita periférica, para a Agir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por marginal, Ferréz entende a busca de um lugar na série literária para aqueles que vem da margem. E explica melhor: literatura marginal é aquela feita por marginais mesmo, até pelo cara que já roubou, aqueles que derivam de partes da sociedade que não têm espaço. Mas adverte: "Quando a gente consegue alguma coisa por meio da arte, não quer dizer que vamos sossegar. Temos é que organizar o nosso ódio, direcioná-lo para quem está nos prejudicando. Tudo o que o sistema não dá, temos que tomar". Participando, em 2004, de uma mesa no Seminário Cultura e Desenvolvimento, Ferréz, indignado, disse: "Ainda que eu escreva prioritariamente para minha comunidade, não quero minha literatura no gueto. Quero entrar para o cânone, para a história da literatura, como qualquer um dos escritores novos contemporâneos. E não acho também que minha comunidade deve se limitar à minha literatura, ela tem o direto de ter acesso a Flaubert. Foi a isso que chamei anteriormente de 'democratização de expectativas' para a qual talvez nós, intelectuais e artistas de classe média, ainda não estejamos preparados. Na nossa fantasia perversa aceitamos que o pobre sonhe com um Nike, mas não com Flaubert".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O último livro que vou comentar rapidamente é Cabeça de porco, lançado este ano, com a autoria de Luiz Eduardo Soares, Celso Athayde e MV Bill. Um sociólogo, uma liderança comunitária, presidente da CUFA (Central Única de Favelas), e um rapper politicamente engajado. Bill e Celso Athayde estavam já há algum tempo, fazendo uma pesquisa, com gravações em vídeo, sobre as causas da violência e adesão ao tráfico de drogas entre jovens das favelas e uniram-se a Luiz Eduardo Soares que, além de sociólogo, já tinha sido secretário de Segurança no governo Garotinho e secretário-geral de Segurança Pública no governo Lula, portanto com experiência e informações bastante concretas na área da criminalidade. Os três propuseram então escrever um livro a seis mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade que as partes escritas por cada um são assinadas, não produzindo, portanto um tipo de autoria coletiva, mas colaborativa. O livro não desafina na passagem de um autor para outro, que aparecem intercalados na estrutura narrativa do livro. Um caso de saber compartilhado com igual peso para cada uma das partes, cada autor oferecendo sua dicção e sua competência específicas em pé de igualdade, em que a autoria é menos importante do que o conjunto polifônico do trabalho, que é precisamente de onde esta obra tira sua maior força e valor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A leitura de Cabeça de porco – cujo sentido na favela é o de uma situação da qual você se percebe "sem saída" – é uma leitura de um só fôlego. Sem piedade, e levado por um texto profundamente afetivo, o leitor é mergulhado num universo de violência e miséria cuja experiência emocional é totalmente desconhecida das classes média e alta. É interessante lembrar da reação da platéia essencialmente elitizada da última Flip (Festa Literária de Parati) à apresentação deste livro com as presenças de Luiz Eduardo e MV Bill. Palmas ininterruptas, assobios, gemidos. Que reação teria sido essa? De uma "revelação quase religiosa"? De encantamento com pop stars? Ou o quê? Neste caso, ao invés de querer escolher uma dessas respostas à minha pergunta, prefiro ficar com o grau de intensidade e não-ortodoxia dessa manifestação e de sua recepção pelo público. Escolhi comentar esses três livros muito diferentes entre si para pensar um pouco o papel do intelectual contemporâneo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes disso, me permito um exemplo pessoal, bastante recente, e que demonstra minha falta de jogo de cintura para lidar com esses fenômenos: Há dois meses, coordenei, por intermédio de meu Programa na UFRJ, uma exposição no Centro Cultural dos Correios chamada Estética da Periferia. Essa exposição foi montada por Gringo Cárdia, que tem dois projetos exemplares: O Kabum e a Fábrica de Espetáculos, que são laboratórios superequipados com tecnologia de ponta e formam marceneiros de teatro, iluminadores, cenógrafos, figurinistas, videomakers, fotógrafos e designers.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O objetivo desses laboratórios é a formação e a qualificação profissional de adolescentes e jovens das comunidades de baixa renda. A idéia da exposição foi a de que esses jovens escolheriam as peças da exposição, portanto tinham um poder curatorial, e serviriam como assistentes do Gringo na idealização e produção da montagem cenográfica do evento. Bem, confesso que eu, uma típica intelectual dos anos 60, com todos os ônus que isso representa, fiquei altamente incomodada e surpresa com o resultado. O que eu vi foi uma exposição que passava longe do que eu considero cultura ou a estética da periferia. Era tudo muito colorido, meio fashion, claramente estetizado. Para uma contemporânea do Cinema Novo isso soou desconfortável. Mas todas as sextas-feiras fizemos uma visita, não diria guiada, mas meio em forma de painel de discussões com diferentes segmentos da periferia. Surpresa. Todos se reconheciam e aplaudiam o resultado, alegando que esta era a primeira mostra na qual se respeitava a auto-estima da periferia. Que trazia o lado positivo desta cultura e espelhava o que há de melhor nas favelas e nos conjuntos habitacionais. Ouvindo isso, tive certeza de que estamos vivendo um momento bastante especial de acesso real e inédito aos sentimentos, ethos e demandas das classes de alto nível de pobreza. Percebi também como é precário nosso poder de tradução cultural entre classes e etnias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da insegurança e (por que não?) o medo que esse novo momento me traz, tenho a forte impressão de que afinal o intelectual, apesar de todas as indicações em contrário, pode não estar necessariamente desempregado nesse século XXI. Mas alguns cuidados ele certamente vai ter que assumir para garantir sua sobrevivência com algum sentido e positividade daqui para frente. Antes de mais nada, como nos sugeriu Beatriz Sarlo nessa última Flip, é inadiável uma bela e urgente auto-crítica. E em seguida, testar novas formas de participação e engajamento. Quem sabe a sugestão de que a periferia e os movimentos que defendem a interpelação da propriedade intelectual fechada e superprotegida no modelo norte-americano, com seu corolário necessário, o investimento na noção de saber compartilhado, possa afinal dissolver velhas equações corporativas em novas maneiras de fazer política.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Heloisa Buarque de Hollanda&lt;/strong&gt; (&lt;/em&gt;&lt;a href="mailto:hollanda@centroin.com.br"&gt;&lt;em&gt;hollanda@centroin.com.br&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;) é professora titular de Teoria Crítica da Cultura da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenadora do Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PACC/UFRJ).&lt;/em&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;Fonte: &lt;a href="http://portalliteral.terra.com.br/index.htm"&gt;Portal Literal&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;11/10/2005&lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comentários:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.palimpnoia.blogspot.com/"&gt;&lt;strong&gt;Página Inicial&lt;/strong&gt; &lt;/a&gt;ou &lt;a href="http://www.palimpnoiaforum.blogspot.com/"&gt;&lt;strong&gt;Fórum&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33562459-115689628324460830?l=palimpnoiaartigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palimpnoiaartigos.blogspot.com/feeds/115689628324460830/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33562459&amp;postID=115689628324460830' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33562459/posts/default/115689628324460830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33562459/posts/default/115689628324460830'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palimpnoiaartigos.blogspot.com/2006/08/heloisa-buarque-de-hollanda.html' title='Heloisa Buarque de Hollanda'/><author><name>Euza Noronha</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/-sMhlICK8E6M/Ts-lfK8hFbI/AAAAAAAAAXo/_ZykPEgS78A/s220/perfil3.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
